10/09/2026

Chandra descobriu 84 fontes hipersuaves de raios X

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O arquivo do Chandra X-ray Observatory acabou de revelar uma população que estava à vista, mas fora da faixa certa. A 9 de setembro de 2026, a NASA anunciou que astrónomos identificaram 84 fontes hipersuaves de raios X em seis galáxias, uma nova classe de objetos que emite raios X de energia muito baixa e níveis intensos de radiação ultravioleta.

O comunicado da NASA/Chandra diz que as fontes foram encontradas em dados públicos do Chandra, incluindo M101, a galáxia do Cata-vento, e M31, Andrómeda. O estudo foi publicado na Nature Astronomy no mesmo dia e propõe que estes objetos podem ajudar a explicar duas perguntas antigas: que sistemas antecedem algumas supernovas Tipo Ia e que fontes ionizam gás entre estrelas em certas galáxias.

Imagem anotada de M101 com sete fontes hipersuaves de raios X assinaladas
M101 com sete fontes hipersuaves assinaladas. Raios X: NASA/CXC/Univ. of Alabama/M. Muhibullah et al.; óptico: NASA/ESA/STScI; processamento: NASA/CXC/SAO/N. Wolk

A pista escondida no arquivo

A equipa procurou objetos que apareciam nas imagens de raios X de energia mais baixa e desapareciam nas imagens de energia mais alta. Essa assinatura parece simples, mas era precisamente o ponto cego: os raios X baixos são difíceis de detetar e a radiação ultravioleta extrema é facilmente absorvida por hidrogénio e hélio no espaço interestelar.

Segundo a página oficial do Chandra Photo Album, a imagem de M101 combina dados de raios X do Chandra, em roxo, com observações ópticas do Hubble, em vermelho, verde e azul. A galáxia fica a cerca de 21 milhões de anos-luz e o compósito cobre uma região de aproximadamente 86 000 anos-luz.

Imagem composta de M101 com dados de raios X do Chandra e dados ópticos do Hubble
O compósito sem anotação mostra M101 em óptico e raios X, onde os pontos roxos revelam fontes energéticas. Imagem: NASA/CXC/Univ. of Alabama/M. Muhibullah et al.; NASA/ESA/STScI

O que torna estes objetos estranhos é a combinação: pouca emissão acima de 0,3 keV, mas luminosidade enorme quando se considera a energia que deve sair no ultravioleta extremo. Os investigadores sugerem que podem ser sistemas binários, com uma anã branca, estrela de neutrões ou buraco negro a puxar matéria de uma estrela companheira. Sistemas deste tipo já eram conhecidos; a novidade é a forma como estes brilham no extremo suave do espectro.

O que muda para ti

Para quem acompanha ciência sem viver dentro dela, a importância está no método e nas consequências. Não foi preciso lançar um novo telescópio para encontrar a pista; foi preciso voltar a dados existentes com uma pergunta diferente. Isso lembra que arquivos científicos públicos podem continuar a produzir descobertas anos depois das observações originais.

Há também uma ligação direta à cosmologia. Supernovas Tipo Ia são usadas como marcadores para medir distâncias cósmicas e foram essenciais para descobrir a expansão acelerada do Universo. Se parte destas fontes hipersuaves for composta por sistemas que antecedem essas explosões, os astrónomos ganham uma forma melhor de estudar o que acontece antes do clarão final, não apenas depois.

A outra consequência é galáctica. A radiação ultravioleta intensa pode arrancar eletrões do gás entre estrelas, alterando a forma como esse gás arrefece, brilha e participa na formação de novas estrelas. Se estas fontes forem numerosas, podem ser uma peça que faltava nos modelos de evolução de galáxias.

Dados de raios X do Chandra para M101 usados na descoberta das fontes hipersuaves
A visão em raios X isola os sinais que permitiram procurar objetos quase invisíveis noutros comprimentos de onda. Imagem: NASA/CXC/Univ. of Alabama/M. Muhibullah et al.

O passo seguinte será confirmar o que são estes objetos e quantos mais existem fora das seis galáxias estudadas. Por agora, a notícia forte é esta: uma classe inteira de fontes cósmicas pode ter passado despercebida porque brilhava no lugar mais difícil de observar. O Chandra não encontrou apenas pontos novos numa imagem; encontrou uma nova razão para reler o céu antigo.

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